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Inteligência animal

Chimpa pensativo

Os chimpanzés de Bossou, na Guiné, aprenderam a desativar armadilhas que podem causar ferimentos e até a morte.
RESUMO
Armadilhas instaladas por caçadores podem ferir ou matar chimpanzés, mas alguns deles aprenderam a desarmar os dispositivos.
É possível que esta habilidade tenha sido transmitida de geração para geração.
Melhorar a educação e criar fazendas de criação de animais de caça podem ajudar a reduzir o número de armadilhas na África.

Cinco chimpanzés selvagens machos que vivem em uma floresta africana encontraram uma forma de desativar e até de destruir as armadilhas colocadas por caçadores, afirmaram cientistas que observaram estes inteligentes animais em ação.
A habilidade dos chimpanzés, documentada no último número da revista Primates, demonstrou que estes animais conseguem aprender sem praticar e sem margem de erro, já que um erro poderia ser fatal.
A descoberta também explica porque há menos lesões e mortes decorrentes de armadilhas entre os chimpanzés selvagens que vivem em Bossou, na Guiné, do que nos espécimes que vivem em outros lugares del planeta.
“Em Bossou, os caçadores tentam apanhar as ratazanas-do-capim”, explicou o co-autor Gaku Ohashi ao Discovery Notícias. “Às vezes, também apanham duikers (uma espécie de antílope). Os habitantes de Bossou não comem chimpanzés porque acreditam que estes animais sejam a reencarnação de seus ancestrais. No entanto, as armadilhas causam danos indiscriminados, prendendo todos os animais que entram em contato com elas”.
Ohashi, um pesquisador do Centro de Primatas do Japão, e seu colega, Tetsuro Matsuzawa, observaram os chimpanzés de Bossou de junho de 2002 a março de 2003, e de abril a setembro de 2004. Durante esses períodos, os pesquisadores gravaram seis momentos em que cinco machos diferentes agiram para desativar as armadilhas que encontraram.
Um macho de chimpanzé adulto escutou o choro de uma fêmea acompanhada de um filhote de um ano de idade, perto do cadáver de um duiker em uma armadilha. Segundo os investigadores, o chimpanzé bateu de leve no antílope para garantir que estava morto. Em seguida, agarrou a armadilha com as mãos e a sacudiu com força. Anteriormente, o mesmo macho havia sacudido e quebrado outra armadilha.
Em outra ocasião, o mesmo macho estava com outros chimpanzés adultos e um jovem de seis anos. No momento em que o grupo encontrou uma armadilha, o chimpanzé mais jovem a desativou desamarrando as cordas ligadas a ela.
Estes e outros exemplos documentados sugerem que as técnicas de desativação podem ter passado “de geração em geração, sendo incorporada por sua própria cultura”, escreveram Ohashi e Matsuzawa.
“Em algum momento do passado, um indivíduo que ficou preso pode ter iniciado este comportamento”, explicou Ohashi, acrescentando que os chimpanzés jovens aprenderam a técnica sem sofrer ferimentos.
Em outros lugares, os chimpanzés que sobrevivem às armadilhas podem ficar mutilados por toda a vida. Em Uganda, por exemplo, na floresta de Kalinzu, 10 de 16 machos identificados apresentavam lesões nos membros. Na floresta de Budongo, também em Uganda, um quinto dos chimpanzés apresenta deformidades nos membros em consequência das armadilhas.
Vernon Reynolds, especialista em primatas que trabalha como assessor do Projeto de Pesquisa da Floresta de Bosque de Budongo, comentou ao Discovery Notícias que as observações realizadas em Bossou são “excepcionais, já que não foram registradas em nenhum outro lugar”.
Reynolds ainda não sabe por que apenas os chimpanzés machos de Bossou têm a habilidade de desativar armadilhas. Entretanto, os chimpanzés selvagens da África também demonstram uma preocupação frequente com estes dispositivos.
“Nossos chimpanzés em Budongo emitem gritos de alerta. Além disso, em pelo menos uma ocasião, nosso macho alfa desativou uma armadilha que havia aprisionado uma fêmea adulta”, comentou Reynolds.
Ohashi espera que uma melhor educação nas regiões onde as armadilhas são instaladas – partes do leste e oeste da África – aumente a conscientização dos caçadores sobre suas ações. Em Bossou, uma ONG local está começando a criar ratazanas-do-campim em fazendas.
“Se criarmos roedores para abastecer as necessidades alimentares dos habitantes de Bossou, reduziríamos a necessidade da caça com armadilhas, diminuindo os riscos para os chimpanzés”, concluíram Ohashi e Matsuzawa.

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