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Tente não alimentar pássaros

Pássaro se alimentando de comida deixada por humanos


Pássaros alimentados pelo homem podem se preocupar mais com a defesa do território do que com o acasalamento.
RESUMO
Pessoas que alimentam pássaros podem influenciar seu comportamento reprodutivo de formas potencialmente negativas, ao menos em algumas espécies.
Pesquisadores recomendam que as pessoas continuem a alimentar os pássaros durante o inverno, mas deixem de fazê-lo durante a temporada de reprodução.
À medida que as temperaturas despencam no Hemisfério Norte, muitos pássaros não hesitam em devorar as sementes e frutas deixadas em comedouros externos por amantes de aves. Mais de 40% das residências dos Estados Unidos e aproximadamente 50% dos lares do Reino Unido alimentam pássaros, segundo estimativas.
Entretanto, dois novos estudos sugerem que a alimentação das aves em comedouros durante a primavera pode influenciar seu comportamento de forma surpreendente. Os especialistas sugerem que as pessoas não deixem de praticar o carinhoso passatempo de alimentar as aves em seus quintais, mas também sugerem que parem de fazê-lo durante a temporada de reprodução.
Um dos estudos observou o chapim-azul, espécie dos bosques da Inglaterra, e outro o chapim-real, que habita uma zona suburbana de Oslo, na Noruega. Nos dois estudos, algumas aves foram alimentadas, enquanto as demais deviam procurar comida por conta própria.
O estudo do Reino Unido, publicado na revista Physiological Ecology por James Reynolds e sua equipe, da Universidade de Birmingham, alimentou as aves durante a temporada de acasalamento, do início de março ao fim de julho.
Assim como em outros estudos sobre alimentação de aves, os pássaros alimentados puseram e incubaram seus ovos mais cedo do que os pássaros que tiveram de sobreviver sozinhos.
Entretanto, para surpresa dos pesquisadores, em comparação com os pássaros que não haviam sido alimentados, os pássaros alimentados em comedouros reduziram significativamente a postura de ovos. Uma das espécies estudadas, o chapim-azul, também reduziu a porcentagem de ovos chocados. Levando-se em conta as duas ocorrências, os pássaros alimentados reduziram significativamente o tamanho de sua ninhada.
“Não conheço nenhum estudo que tenha demonstrado claramente uma diminuição do tamanho da ninhada como resultado da alimentação complementar”, afirmou Thomas Martin, da Universidade de Montana, Missoula.
“Suspeitamos que eles estejam investindo mais na defesa de sua fonte de alimento do que na reprodução”, explicou Reynolds.
Alimentar os pássaros pode ser até uma vantagem, já que ninhadas menores têm mais chances de sobreviver. De fato, o acompanhamento do trabalho realizado com o grupo de pássaros de Reynold demonstra que isso pode ser verdade.
Já os pesquisadores noruegueses descobriram que facilitar a alimentação dos chapins-reais durante as duas primeiras semanas da temporada de acasalamento fazia com que atrasassem o início da cantoria matinal em aproximadamente 20 minutos.
“O canto matinal é um momento muito delicado e especial”, comentou Valentín Amrhein, da Universidade da Basileia, Suíça. Experimentos anteriores com espécies relacionadas demonstraram que os machos de hierarquia superior tendem a cantar mais cedo pela manhã e se acasalam com mais parceiras, informou Amrhein.
“Consequentemente, se apenas os machos mais fortes e vigorosos podem começar a cantar mais cedo, a alimentação complementar poderia estimular esta prática. Foi realmente uma surpresa para nós e para outros pesquisadores, porque era o oposto do que havíamos observado em estudos que alimentaram as aves durante apenas alguns dias”.
Amrhein acredita que uma causa similar à do estudo no Reino Unido pode ser a origem das descobertas de seu grupo. “Entretanto, eu ainda acho que é mais provável que os machos territoriais simplesmente se distraiam com os chapins-reais e outras espécies de pássaros que se alimentam em seu terrriório”.
Reynolds esclarece que seus resultados e os de Amrhein podem ocorrer especificamente no local, e que os estudos precisariam ser reproduzidos em outros ambientes e com outras espécies. Mas as descobertas indicam que a alimentação complementar pode ter alguma influência imprevisível sobre a reprodução, acrescenta Amrhein.
“É claro que interfere no comportamento reprodutivo, de uma forma ou de outra. Mas ainda não está claro se isso os prejudica ou beneficia”, explicou.
“Aconselho as pessoas a alimentar as aves em seus jardins, porque é uma grande oportunidade para se familiarizarem com elas, especialmente as crianças. Isso também pode salvar sua vida durante invernos rigorosos”, acrescentou. “No entanto, sugiro que deixem de alimentar os pássaros no período de reprodução, ou seja, no final de março ou, no máximo, quando a neve tiver desaparecido”.
Os pesquisadores recomendam que as pessoas alimentem as aves com uma ampla variedade de sementes e sebo, e não sirvam alimentos processados destinados ao consumo humano, como cereais industrializados. Amrhein também recomenda que os comedouros fiquem longe dos gatos.

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